Eu não teria como pedir aos leitores deste canto de página para se lembrarem do que andei escrevendo há pouco menos de três anos, sobre entidades de representação classista. Mas, se isso fosse possível, atestariam que fui veemente na crítica ao corporativismo predominante nessas organizações, o que, não raro, faz delas verdadeiras ditaduras. Realmente, aproveito as oportunidades que se me oferecem para criticar esse status, que é uma espécie de versão civil dos regimes de exceção.
Ainda agora, fico sabendo que, em relação a Juiz de Fora, procedeu-se a um levantamento sobre a perpetuação de dirigentes de sindicatos, para se concluir que alguns deles são administrados há década pela mesma pessoa ou mesmo grupo. Nada mais significativo para confirmar o mandonismo e o avesso à renovação de pessoas e de ideias; renovação necessária nas representações de categorias, sejam elas profisssionais ou sociais. Certamente que vamos encontrar aí um dos motivos do marasmo e da indigência de iniciativas que tem infelicitado a cidade.
Em vez anterior, bati-me também contra a maioria das entidades de representação do empresariado brasileiro, notadamente sindicatos e as chamadas federações e confederações, custeadas com o dinheiro da contribuição compulsória dos industriais e comerciantes. Não seria necessária a ressalva de que há exceções, até porque estas são tão raras que nem citação merecem. Em sua maioria, são entidades que primam pela interminável reeleição de diretores e conselheiros, uns mancomunados com outros, mas todos sustentados por mordomias, viagens e diárias para reuniões quase sempre improdutivas.
Retomo a preocupação com o imobilismo para citar a necessidade premente e inadiável de a legislação trabalhista, preservando direitos e cobrando deveres, receber tratamento capaz de adaptá-la aos novos tempos. Falo sobre isso, mostro experiências modernizantes bem sucedidas em outros países, recebo cartas de apoio vindas de advogados, professores e especialistas, mas nem uma palavra dessas federações e sindicatos, que primam pela omissão quando o desafio é lutar e empreender. Até quando esse desinteresse?
O.P.
domingo, 8 de março de 2009
sábado, 7 de março de 2009
Sociedade insegura
Uma discussão que nunca termina é como a sociedade civil, representada por suas autoridades, haverá de enfrentar e vencer o crime organizado, cujas incursões deixam claro que seus agentes não mais temem a lei. Nos breves intervalos que se instalam entre as ações criminosas e a reação da polícia, o que se observa é um vazio, uma ausência de efetiva política de segurança pública, o que acaba encorajando a bandidagem. O recente assalto ao arsenal de treinamento da polícia de S.Paulo foi mais um episódio para confirmar que a audácia do crime cresce na mesma medida em que relaxa o cuidado da segurança pública.
Nossas autoridades parecem viver a expectativa de que os problemas não vão retornar. Quando a violência retorna, então se reabrem as discussões sobre providências e reações a serem tomadas, para logo depois tudo ser de novo relegado a segundo plano.
Os interesses políticos, coincidentes com os sinais de uma nova campanha eleitoral, vão gerar promessas de avanços, sem que sejam perfeitamente assumidas as responsabilidades distribuídas entre União e estados. Se às unidades federativas cabe a tarefa de manter a paz pública, à União caberá o controle do sistema penitenciário, de onde têm partido as ordens para a geração do clima de violência que se cria além dos muros das prisões, com eficiência e rapidez. Essa distribuição de encargos deve ser a origem de qualquer projeto que pretenda estabelecer o controle da segurança pública. Tudo o mais é palavrório para sufocar momentos de tensão.
Quando a insegurança chega a níveis como o que estamos assistindo agora, o que comumente se vê é o ressurgimento do debate sobre a conveniência ou não de serem empregadas forças militares para enfrentar os bandidos. Velha discussão essa, que acaba levando a lugar algum, porque sempre haveremos de chegar à conclusão que instituições militares não foram criadas para correr atrás de bandidos e nem são preparada para essa tarefa. Além do mais, não há como imaginar soldados e tanques em plantão permanente nas ruas e praças das cidades.
A segurança pública faz parte do elenco de atribuições constitucionais do poder civil, e seus titular não têm como escapar delas.
Nossas autoridades parecem viver a expectativa de que os problemas não vão retornar. Quando a violência retorna, então se reabrem as discussões sobre providências e reações a serem tomadas, para logo depois tudo ser de novo relegado a segundo plano.
Os interesses políticos, coincidentes com os sinais de uma nova campanha eleitoral, vão gerar promessas de avanços, sem que sejam perfeitamente assumidas as responsabilidades distribuídas entre União e estados. Se às unidades federativas cabe a tarefa de manter a paz pública, à União caberá o controle do sistema penitenciário, de onde têm partido as ordens para a geração do clima de violência que se cria além dos muros das prisões, com eficiência e rapidez. Essa distribuição de encargos deve ser a origem de qualquer projeto que pretenda estabelecer o controle da segurança pública. Tudo o mais é palavrório para sufocar momentos de tensão.
Quando a insegurança chega a níveis como o que estamos assistindo agora, o que comumente se vê é o ressurgimento do debate sobre a conveniência ou não de serem empregadas forças militares para enfrentar os bandidos. Velha discussão essa, que acaba levando a lugar algum, porque sempre haveremos de chegar à conclusão que instituições militares não foram criadas para correr atrás de bandidos e nem são preparada para essa tarefa. Além do mais, não há como imaginar soldados e tanques em plantão permanente nas ruas e praças das cidades.
A segurança pública faz parte do elenco de atribuições constitucionais do poder civil, e seus titular não têm como escapar delas.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Um passo rumo à reforma
Está em vários jornais do dia e também neste nosso: até fins de abril uma comissão especial do Congresso apresenta uma condensação de todas as propostas para a reforma política. Realizada por senadores e deputados experientes, o que é tão mais importante quando se considera a complexidade da matéria, nossa expectativa é que poderemos agora alcançar a demarragem de uma reforma que se arrasta, se confunde e acabou condenada ao ostracismo. Visto assim, imagina-se que aliados e contrários, grupos de todas as correntes partidárias estão chegando à conclusão que é preciso tocar nas estruturas, porque a obsolescência já se tornou incômoda para todos. Queira Deus que assim seja.
Até hoje, nossas lideranças não perceberam, e se perceberam fizeram-se de desentendidas, que os instrumentos e mecanismos de representação já deviam ter sido modernizados há uns trinta ou quarenta anos. E, se até agora não reagiram ou não tomaram a iniciativa, é porque descansam na unanimidade: já que todos querem a reforma e ninguém a condena, pelo menos publicamente, vamos protelando.
Todos os fatos e argumentos levam a considerar, quando falamos na necessidade de o País renovar-se, que estamos diante de uma imposição de quase todos os setores. A reforma política não pode ser excluída da linha de primeira entre todas as prioridades nacionais. Até porque dela deverão derivar todas as outras missões renovadoras em cima de estruturas arcaicas.
As mudanças que voltam à cena precisam, a meu ver, perseguir dois objetivos, até agora tratados, quando muito, apenas com as cores da superficialidade. O primeiro ponto é que precisamos dar ao exercício do mandato político o caráter do ideal acima da realização pessoal. A política deve deixar de ser um bom negócio, muito menos para o enriquecimento pessoal, até porque, no serviço público, isso sempre se obtém pela via da corrupção. O segundo objetivo de uma reforma que se almeja a melhor possível, é que sejam ampliados os espaços para a ação das bases partidárias e populares. É o que esperamos que venha.
O.P.
Até hoje, nossas lideranças não perceberam, e se perceberam fizeram-se de desentendidas, que os instrumentos e mecanismos de representação já deviam ter sido modernizados há uns trinta ou quarenta anos. E, se até agora não reagiram ou não tomaram a iniciativa, é porque descansam na unanimidade: já que todos querem a reforma e ninguém a condena, pelo menos publicamente, vamos protelando.
Todos os fatos e argumentos levam a considerar, quando falamos na necessidade de o País renovar-se, que estamos diante de uma imposição de quase todos os setores. A reforma política não pode ser excluída da linha de primeira entre todas as prioridades nacionais. Até porque dela deverão derivar todas as outras missões renovadoras em cima de estruturas arcaicas.
As mudanças que voltam à cena precisam, a meu ver, perseguir dois objetivos, até agora tratados, quando muito, apenas com as cores da superficialidade. O primeiro ponto é que precisamos dar ao exercício do mandato político o caráter do ideal acima da realização pessoal. A política deve deixar de ser um bom negócio, muito menos para o enriquecimento pessoal, até porque, no serviço público, isso sempre se obtém pela via da corrupção. O segundo objetivo de uma reforma que se almeja a melhor possível, é que sejam ampliados os espaços para a ação das bases partidárias e populares. É o que esperamos que venha.
O.P.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Forças desiguais
Entre as muitas razões e argumentos que se levantam contra a reeleição de titulares de cargos executivos, sem que se lhes cobre o afastamento nos seis meses que antecedem o pleito, o mais citado e de mais fácil sustentação é que o presidente, o governador e o prefeito têm como principal instrumento de campanha a máquina que administram. Ainda que dela não fizessem uso por vias irregulares, só o fato de controlar as ações e dominar o poder já lhes confere imensas vantagens sobre os concorrentes, injustiça que a lei tem procurado impedir, com limitado êxito. Alguns fatos que se associaram nos últimos tempos confirmaram isso: na última campanha presidencial o governo segurou reajuste dos militares durante um ano, para liberá-lo quase à véspera da eleição. Os aposentados, a despeito de não terem obtido no benefício o aumento pretendido, ganharam a antecipação de parte do 13º. O governo cedeu até nas resistências à redução dos juros.
Tudo o que sempre se disse ser impossível e difícil, torna-se mais fácil no momento em que a campanha esquenta as turbinas para a reta final. Certamente que, com tais iniciativas, se reeditadas no próximo ano, o presidente Lula não estará incorrendo em crime de responsabilidade. Mas é certo que está armazenando decisões para serem deflagradas em momento politicamente propício. São armas que, se não vão estar ao alcance dos demais candidatos, tornam injusta a disputa.
Um novo modelo para a reeleição, se é que essa prerrogativa continuará sendo adotada no futuro, precisa ser adotado, para que a concorrência não seja tão desigual, porque, a permanecer assim, vamos continuar convivendo com uma democracia representativa que peca na base. E o primeiro passo – não pode ser outro – é dar ao Tribunal Superior Eleitoral força legal para impor ao executivo deixar o cargo quando faltar um semestre para a votação. Talvez seja o caminho único para salvar a emenda constitucional que introduziu a reeleição, que, aliás, bom que sem diga, já não conta mais com a simpatia da intelectualidade brasileira.
O.P.Entre as muitas razões e argumentos que se levantam contra a reeleição de titulares de cargos executivos, sem que se lhes cobre o afastamento nos seis meses que antecedem o pleito, o mais citado e de mais fácil sustentação é que o presidente, o governador e o prefeito têm como principal instrumento de campanha a máquina que administram. Ainda que dela não fizessem uso por vias irregulares, só o fato de controlar as ações e dominar o poder já lhes confere imensas vantagens sobre os concorrentes, injustiça que a lei tem procurado impedir, com limitado êxito. Alguns fatos que se associaram nos últimos tempos confirmaram isso: na última campanha presidencial o governo segurou reajuste dos militares durante um ano, para liberá-lo quase à véspera da eleição. Os aposentados, a despeito de não terem obtido no benefício o aumento pretendido, ganharam a antecipação de parte do 13º. O governo cedeu até nas resistências à redução dos juros.
Tudo o que sempre se disse ser impossível e difícil, torna-se mais fácil no momento em que a campanha esquenta as turbinas para a reta final. Certamente que, com tais iniciativas, se reeditadas no próximo ano, o presidente Lula não estará incorrendo em crime de responsabilidade. Mas é certo que está armazenando decisões para serem deflagradas em momento politicamente propício. São armas que, se não vão estar ao alcance dos demais candidatos, tornam injusta a disputa.
Um novo modelo para a reeleição, se é que essa prerrogativa continuará sendo adotada no futuro, precisa ser adotado, para que a concorrência não seja tão desigual, porque, a permanecer assim, vamos continuar convivendo com uma democracia representativa que peca na base. E o primeiro passo – não pode ser outro – é dar ao Tribunal Superior Eleitoral força legal para impor ao executivo deixar o cargo quando faltar um semestre para a votação. Talvez seja o caminho único para salvar a emenda constitucional que introduziu a reeleição, que, aliás, bom que sem diga, já não conta mais com a simpatia da intelectualidade brasileira.
O.P
Tudo o que sempre se disse ser impossível e difícil, torna-se mais fácil no momento em que a campanha esquenta as turbinas para a reta final. Certamente que, com tais iniciativas, se reeditadas no próximo ano, o presidente Lula não estará incorrendo em crime de responsabilidade. Mas é certo que está armazenando decisões para serem deflagradas em momento politicamente propício. São armas que, se não vão estar ao alcance dos demais candidatos, tornam injusta a disputa.
Um novo modelo para a reeleição, se é que essa prerrogativa continuará sendo adotada no futuro, precisa ser adotado, para que a concorrência não seja tão desigual, porque, a permanecer assim, vamos continuar convivendo com uma democracia representativa que peca na base. E o primeiro passo – não pode ser outro – é dar ao Tribunal Superior Eleitoral força legal para impor ao executivo deixar o cargo quando faltar um semestre para a votação. Talvez seja o caminho único para salvar a emenda constitucional que introduziu a reeleição, que, aliás, bom que sem diga, já não conta mais com a simpatia da intelectualidade brasileira.
O.P.Entre as muitas razões e argumentos que se levantam contra a reeleição de titulares de cargos executivos, sem que se lhes cobre o afastamento nos seis meses que antecedem o pleito, o mais citado e de mais fácil sustentação é que o presidente, o governador e o prefeito têm como principal instrumento de campanha a máquina que administram. Ainda que dela não fizessem uso por vias irregulares, só o fato de controlar as ações e dominar o poder já lhes confere imensas vantagens sobre os concorrentes, injustiça que a lei tem procurado impedir, com limitado êxito. Alguns fatos que se associaram nos últimos tempos confirmaram isso: na última campanha presidencial o governo segurou reajuste dos militares durante um ano, para liberá-lo quase à véspera da eleição. Os aposentados, a despeito de não terem obtido no benefício o aumento pretendido, ganharam a antecipação de parte do 13º. O governo cedeu até nas resistências à redução dos juros.
Tudo o que sempre se disse ser impossível e difícil, torna-se mais fácil no momento em que a campanha esquenta as turbinas para a reta final. Certamente que, com tais iniciativas, se reeditadas no próximo ano, o presidente Lula não estará incorrendo em crime de responsabilidade. Mas é certo que está armazenando decisões para serem deflagradas em momento politicamente propício. São armas que, se não vão estar ao alcance dos demais candidatos, tornam injusta a disputa.
Um novo modelo para a reeleição, se é que essa prerrogativa continuará sendo adotada no futuro, precisa ser adotado, para que a concorrência não seja tão desigual, porque, a permanecer assim, vamos continuar convivendo com uma democracia representativa que peca na base. E o primeiro passo – não pode ser outro – é dar ao Tribunal Superior Eleitoral força legal para impor ao executivo deixar o cargo quando faltar um semestre para a votação. Talvez seja o caminho único para salvar a emenda constitucional que introduziu a reeleição, que, aliás, bom que sem diga, já não conta mais com a simpatia da intelectualidade brasileira.
O.P
terça-feira, 3 de março de 2009
Comida e energia
Para não deixar escapar a oportunidade dada pelo presidente Obama e a promessa de uma nova mentalidade na política econômica dos Estados Unidos, o Brasil tem sido estimulado a retomar a discussão internacional sobre uma questão que já não se distancia tanto da realidade, pelo menos como sugerem dados de organismos confiáveis. Trata-se da grande dúvida que se levantou em torno do conflito entre os espaços utilizados para a produção de alimentos e os que agora deverão se ocupar das fontes alternativas de energia. Na América, as maiores preocupações nesse sentido vêm de Cuba.
Mesmo correndo o risco de avaliação superficial, o governo brasileiro tem revelado despreocupação quanto a tal risco, pois há por esse mundo afora extensões inimagináveis de terras jamais ocupadas pela cultura dos grãos, sem que, por isso, o mundo tenha deixado de comer. O que condena milhões de serem humanos à fome não é a inutilização da terra, mas as políticas de sua ocupação e produção.
O Brasil faz bem em defender seu direito de destinar parte das extensões nacionais a uma linha de fontes energéticas, sabendo que isso jamais causará inibição aos alimentos.
O que nem sempre é compreendido com facilidade é que existe uma relação muito estreita entre as disponibilidades da energia e o futuro da produção de alimentos. Não é possível ter o que comer, se a energia não for farta e barata. Este é um dado suficiente para negar racionalidade ao debate que tem sido travado entre os defensores de prioridade para os alimentos, mesmo que jamais tenham se preocupado com o plantio e os adeptos de metas avançadas para as energias alternativas.
Nada impede que o assunto continue sendo debatido, e o Brasil, contemplado pela imensidão de suas terras deve mesmo tomar a iniciativa do debate, seguido de estudos técnicos e de conveniências comerciais.
O.P.
Mesmo correndo o risco de avaliação superficial, o governo brasileiro tem revelado despreocupação quanto a tal risco, pois há por esse mundo afora extensões inimagináveis de terras jamais ocupadas pela cultura dos grãos, sem que, por isso, o mundo tenha deixado de comer. O que condena milhões de serem humanos à fome não é a inutilização da terra, mas as políticas de sua ocupação e produção.
O Brasil faz bem em defender seu direito de destinar parte das extensões nacionais a uma linha de fontes energéticas, sabendo que isso jamais causará inibição aos alimentos.
O que nem sempre é compreendido com facilidade é que existe uma relação muito estreita entre as disponibilidades da energia e o futuro da produção de alimentos. Não é possível ter o que comer, se a energia não for farta e barata. Este é um dado suficiente para negar racionalidade ao debate que tem sido travado entre os defensores de prioridade para os alimentos, mesmo que jamais tenham se preocupado com o plantio e os adeptos de metas avançadas para as energias alternativas.
Nada impede que o assunto continue sendo debatido, e o Brasil, contemplado pela imensidão de suas terras deve mesmo tomar a iniciativa do debate, seguido de estudos técnicos e de conveniências comerciais.
O.P.
segunda-feira, 2 de março de 2009
O pouco que os bairros querem
Não quero ser acusado de estar pedindo soluções para todos os problemas da cidade a uma administração que começou há dois meses, embora não veja nela competência para enfrentá-los. Mas também não quero que me acusem de estar insensível a essas queixas que todos os dias chegam das regiões periféricas, tratando de coisas muito simples, de solução imediata. Coisas que uma prefeitura, administrada competentemente, resolve em uma semana.
Relacionar essas simplicidades, que são tantas, demandaria tempo. Mas impressionam-me, em particular, as mensagens que chegam dos bairros distantes, que geralmente são os mais pobres, reclamando obras e serviços, cuja execução está diretamente ligada à saúde e ao bem-estar dos moradores. Para confirmar isso, é suficiente a leitura das cartas dos leitores. São mensagens que chegam em grande volume, quase me autorizando mesmo a dizer que as queixas dos bairros constituem a maioria.
Um dado que considero importante e ajuda a causar indignação, é que em nenhuma delas as reivindições pecam pelo excesso, nem pretendem violentar os cofres da prefeitura. São serviços simples, que nem deviam ser objeto de preocupação da população. Leio, por exemplo, o drama dos leitores que escrevem para dizer que precisam ter a rua capinada, as bocas-de-lobo conservadas ou a luminária substituída. Ora, é espantoso que coisas de custo tão insignificante representem preocupação para os moradores.
Penso que continua faltando ao governo municipal capacidade para considerar que os bairros bem tratados são o primeiro passo para reduzir a carga de exigências sobre a zona central. À medida em que receber melhor tratamento e a garantia de serviços públicos adequados, a população vai se sentir animada a correr do centro.
O.P.
Relacionar essas simplicidades, que são tantas, demandaria tempo. Mas impressionam-me, em particular, as mensagens que chegam dos bairros distantes, que geralmente são os mais pobres, reclamando obras e serviços, cuja execução está diretamente ligada à saúde e ao bem-estar dos moradores. Para confirmar isso, é suficiente a leitura das cartas dos leitores. São mensagens que chegam em grande volume, quase me autorizando mesmo a dizer que as queixas dos bairros constituem a maioria.
Um dado que considero importante e ajuda a causar indignação, é que em nenhuma delas as reivindições pecam pelo excesso, nem pretendem violentar os cofres da prefeitura. São serviços simples, que nem deviam ser objeto de preocupação da população. Leio, por exemplo, o drama dos leitores que escrevem para dizer que precisam ter a rua capinada, as bocas-de-lobo conservadas ou a luminária substituída. Ora, é espantoso que coisas de custo tão insignificante representem preocupação para os moradores.
Penso que continua faltando ao governo municipal capacidade para considerar que os bairros bem tratados são o primeiro passo para reduzir a carga de exigências sobre a zona central. À medida em que receber melhor tratamento e a garantia de serviços públicos adequados, a população vai se sentir animada a correr do centro.
O.P.
domingo, 1 de março de 2009
Uma boa ideia esquecida
Não sei se os deputados mineiros estariam novamente animados a abrir discussão sobre a criação de regiões metropolitanas, que reputo tema de grande relevância, embora também complexo. Fato é que há dois anos a Assembléia cuidou do futuro da região metropolitana do Vale do Aço, mas o tema acabou banido das preocupações, sem que se saiba exatamente a razão. Mas nem por isso deixou de ser importante cuidar das políticas públicas para as principais concentrações urbanas do Estado.
Os grandes centros, e Belo Horizonte é o mais importante, são chamados a dividir com os menores os encargos decorrentes de um crescimento que muitas vezes se faz desordenadamente. Essa capacidade de absorver problemas dos grandes centros é uma discussão importante, que merece ser estimulada, tanto pelos técnicos como pelos políticos.
O projeto das metropolitanas de Minas ganhou, há pouco mais de dez anos, interessantes estudos realizados pela própria Assembléia Legislativa, que desejou delimitá-las. Esses estudos estariam destinados a evoluir para os projetos, mas não faltou a intromissão de interesses políticos regionais, afora o eterno problema de governos que se sucedem desinteressarem-se pelo que foi proposto pelo anterior.
Fato é que o Estado continuou devendo às cidades-dique o aporte de recursos que lhes permitam promover obras e serviços indispensáveis, quando elas estão no centro do fenômeno da centralização. Entre esses projetos estariam o aperfeiçoamento dos acessos e o transporte coletivo, além de bons recursos médico-hospitalares.
Citemos o caso local. Juiz de Fora, exercendo grande influência sobre municípios vizinhos, pode ser cogitada para sediar, num futuro que desejamos não esteja tão distante, uma das metropolitanas de Minas.
Com esse ou qualquer outro nome que se queira dar, fato é que cidades centralizadoras deviam ser contempladas com maior apoio dos governos estadual e federal, porque seus serviços e os aparelhos urbanos são chamados a servir a várias populações, não apenas às suas. Os deputados precisam retomar essa discussão, que nunca perdeu sua atualidade, pois não cessou e nem cessará o deslocamento das populações em busca de melhor atendimento às suas aspirações.
O.P.
Os grandes centros, e Belo Horizonte é o mais importante, são chamados a dividir com os menores os encargos decorrentes de um crescimento que muitas vezes se faz desordenadamente. Essa capacidade de absorver problemas dos grandes centros é uma discussão importante, que merece ser estimulada, tanto pelos técnicos como pelos políticos.
O projeto das metropolitanas de Minas ganhou, há pouco mais de dez anos, interessantes estudos realizados pela própria Assembléia Legislativa, que desejou delimitá-las. Esses estudos estariam destinados a evoluir para os projetos, mas não faltou a intromissão de interesses políticos regionais, afora o eterno problema de governos que se sucedem desinteressarem-se pelo que foi proposto pelo anterior.
Fato é que o Estado continuou devendo às cidades-dique o aporte de recursos que lhes permitam promover obras e serviços indispensáveis, quando elas estão no centro do fenômeno da centralização. Entre esses projetos estariam o aperfeiçoamento dos acessos e o transporte coletivo, além de bons recursos médico-hospitalares.
Citemos o caso local. Juiz de Fora, exercendo grande influência sobre municípios vizinhos, pode ser cogitada para sediar, num futuro que desejamos não esteja tão distante, uma das metropolitanas de Minas.
Com esse ou qualquer outro nome que se queira dar, fato é que cidades centralizadoras deviam ser contempladas com maior apoio dos governos estadual e federal, porque seus serviços e os aparelhos urbanos são chamados a servir a várias populações, não apenas às suas. Os deputados precisam retomar essa discussão, que nunca perdeu sua atualidade, pois não cessou e nem cessará o deslocamento das populações em busca de melhor atendimento às suas aspirações.
O.P.
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