Em resumo,
Aécio ficou nos devendo. Por outro lado, deixa também um legado de obras importantes, a principal, como já mencionei, a organização financeira de Minas .
Devemos mencionar que todas as estradas da região foram
recapeadas, e muitas pavimentadas, o que gera um enorme conforto e ganhos diversos para os pequenos municípios.
A área de saúde, na Zona da Mata, apesar de investimentos
significativos, não resultou em grandes melhorias. Basta entrar nos hospitais do interior para ver sempre, uma ambulância partindo com paciente para Juiz de Fora, por absoluta falta, na maioria dos casos (simples) , de condições técnicas para atender o cidadão .
No âmbito politico,
Aécio manteve sua
inconteste liderança em toda a região, ajudado, sem dúvida, pela falta de outra liderança estadual que lhe fizesse oposição.
Quando critica o PT por aparelhar o Estado,
Aécio está sendo injusto com o Presidente Lula. Em seu governo, o aparelhamento foi igual , ou pior: ninguém como
Danilo de Castro e Marcos Pestana, seus principais auxiliares, aparelharam tanto o Estado com fins , especificamente,
eleitoreiros.
Na cidade onde nasci, Leopoldina, o exemplo chega a ser
cômico, pois nos remete ao velho e tradicional
coronelismo, que sempre dividia a cidade em duas facções: Marcos Pestana, nomeou para seu gabinete o ex-prefeito José Roberto de Oliveira, que obviamente apoiará Pestana para Deputado Federal. Já
Danilo de Castro nomeou o
atual prefeito
Bené Guedes, para uma função no terceiro escalão do governo mineiro. Resultado: o filho de
Danilo, Rodrigo de Castro, está sendo apoiado por
Bené Guedes.
Mais ainda: segundo cálculo de
tucanos insatisfeitos,
Danilo de Castro e Marcos Pestana, nomearam mais de 150 pessoas , cada um, todos ligados a um prefeito ou ex-prefeitos de cidades do interior, o que fará com que ambos, se tornem os Deputados mais votados de Minas, às custas do maior aparelhamento já visto na história de Minas Gerais.
Ou existe alguma outra explicação para o filho de
Danilo, Rodrigo de Castro, que nunca tinha sido candidato a nada, ter sido eleito Deputado Federal, com 300 mil votos na última eleição ?
Isso chama-se aparelhamento do Estado ! E os dois candidatos, os que mais aparelharam, Pestana e
Danilo (representado pelo filho), obviamente, serão os mais votados de Minas Gerais. Mérito dos dois: serem amigos do
Aécio.
Para quem defende o voto distrital misto, e para quem ataca o PT por "abusivo aparelhamento do Estado",
Aécio, fica nos devendo um pouco mais de coerência interna em sua própria administração, dado que permitiu
Danilo e Pestana fazerem o que bem entendessem para garantir a eleição do filho, e do próprio Pestana.
Na economia, nada de expressivo,
desconsiderando o falso anúncio de uma nova
siderúrgica para Juiz de Fora, literalmente uma invenção mentirosa de custódio
mattos.
Aliás, a Ferrous Resources está nos devendo uma satisfação pela falsidade da informação. No mínimo desmentir, e/ou confirmar o investimento de R$ 8 bilhões, com criação de mais de 6 mil empregos diretos, indicando a data do inicio das obras, fontes de financiamento, etc. Caso contrário, alguns partidos de oposição já pensam em colocar um anúncio denunciando o falso investimento.
Vamos, também, claro, torcer pela
efetivação da promessa da Mercedes, que, esperamos, não tenha o mesmo desfecho da promessa de montagem, em Juiz de Fora, do automóvel
Smart, também anunciado
diretamente pelo "
board" da empresa na Alemanha: passados seis anos, eabsolutamente nada aconteceu.
Os pólos industriais mais dinâmicos da região, concentrados em
Ubá (
moveleiro) e São João
Nepomuceno (
confecção), são frutos da iniciativa privada, sem nenhum apoio por parte do Estado, que já deveria ter, no mínimo, aberto uma agência do
BDMG na região.
Nosso Estado precisa de muita atenção, sabido que temos uma economia
extrativista, e portanto de baixa
elasticidade. A base de nossa arrecadação não estimula grandes sonhos , e chegou ao seu limite.
Aécio não quis o
enfrentamento com as
mineradoras e, por isso, jamais falou ou citou a grande reivindicação dos mineiros, qual seja, os
royalties para nossos minérios. E, por falta deles, a base de arrecadação não cresce, e, por
consequência , o Estado empobrece.
O combate à guerra fiscal contra o Estado do Rio, veio tarde. Dezenas de empresas se foram , e as que poderiam vir para Minas, estão em nossa fronteira, rindo da nossa ortodoxia fiscal. Uma pena. Perdemos muitos investimentos por falta de uma agressiva política fiscal de nossa parte, assim como fez o Estado do Rio, com a Lei Rosinha. Agora é tarde!
Especificamente na Zona da Mata,
Aécio não deixou sua marca de grande político, e de Estadista que é. Lógico que fez muita coisa. Poderia ter feito, reitero, uma verdadeira revolução
econômica, recolocando a região no cenário das grandes decisões. Isso não aconteceu.
Aécio fez um bom governo. Mas ficou devendo à Zona da Mata, que continua abandonada, desprestigiada, e pobre.
Uma pena.