quinta-feira, 11 de novembro de 2010

MÁFIA DO LIXO II

Sobre esse assunto que assusta o Brasil, pelo poder e, pelo lobby das empresas que participam desse cartel, tenho conversado com Ênio Raffin, especialista no tema e, autor do famoso livro intitulado " A MÁFIA DO LIXO ", onde ele, consultor de empresas sérias do setor, faz um relato detalhado e, irrefutável sobre dezenas de contratos ilegais e corrompidos, celebrados pelas empresas que fazem parte do sindicato nacional de empresas de lixo, com dezenas de prefeituras em todo o Brasil. Vale a pena ler o livro e, entrar em seu site (http://www.mafiadolixo.com.br/). Um homem nacionalista , honesto e corajoso.

Ênio está sendo processado por empresas e, pelo sindicato que as representam. Mas também as processou e, ganhou ! Ele detalha a fórmula como essas empresas "obrigam" as prefeituras a repassar todo o processo de coleta e tratamento de lixo de seus municípios . A tática juridica é sempre a mesma : o prefeito declara "urgência" para o setor e, em seguida parte para a contratação de empresa "especializada", o que dispensa licitação.

As empresas, já tem, previamente, acertadas com prefeito de plantão, as condições financeiras e de "distribuição dos ganhos pelos serviços prestados" . Assinados os contratos, começam, em seguida, a aditá-los, decaduplicando , em poucos meses, os preços dos serviços para o município. A contra ultrapassa, rapidamente a casa dos milhões de Reais.
Mas o verdadeiro "filé" do negócio não são só os preços aviltados : o ponto principal de atração desses contratos é a absoluta ausência de concorrência que, quando "existe", participam somente as empresas do cartel, dividindo, assim, em fatias, o mercado nacional. Somente seis empresas brasileiras fazem parte desse poderoso oligopólio.

Em Minas , Ênio me citou os escandalosos contratos da prefeitura de Belo Horizonte (à época assinado por Fernando Pimentel), pauta de diversas matérias do jornal "O Estado de Minas" e, também o de Juiz de Fora. (assinado por Carlos Alberto Bejani , endossado e incrementado por custódio mattos), pauta de diversas matérias do JF HOJE.

Em Juiz de Fora, o caso ainda é mais sério, pois custódio mattos sequer fez uma auditoria no contrato assinado por bejani, sabido que à época da administração Tarcisio Delgado, a coleta custava R$ 100 mil/mês, tendo pulado, em menos de seis meses para R$500 mil com a entrada da Queiroz Galvão. O Vereador Figueiroa também entrou com ação contra esse contrato. Propos uma CPI na Câmera, mas custódio mattos, com a maioria, não permitiu sua instalação.

O processo de Figueiroa, está há anos parado na justiça. Sequer foi julgado em primeira instância.
Ao contrário, além de não fazer nenhuma auditoria nos contratos firmados por seu antecessor, flagrado publicamente recebendo dinheiro na tv, custódio concedeu à empreiteira Queiroz Galvão, "por concorrência pública", novo contrato no valor de R$ 500 Milhões !!!A concorrência foi tão "verdadeira" que a Queiroz Galvão, mesmo antes de "ganha-la" já havia comprado o terreno onde ela iria instalar o novo aterro sanitário de Juiz de Fora !!!

As autoridades brasileiras, não se sabe porque, não se mexem. Nada acontece. Mesmo o Ministério Público, tendo sido provocado diversas vezes diante de tantos escândalos, ainda não conseguiu desmascarar o setor empresarial mais corrupto do Brasil, cujas provas se materializam em contratos fraudados e, ilegais , celebrados país afora, por prefeitos corruptos com essas empresas, que formam esse cartel , denominado por Ênio Raffin como a MÁFIA DO LIXO.

E mais grave, os papeis se invertem: a imprensa torna público essa relação promiscua entre o Estado (prefeituras) e as empresas que corrompem , mas quem denuncia esses escandalos é processado pelas mesmas empresas, numa tentativa clara de intimidação (para quem se intimida...).

Eu mesmo estou perdendo o processo que a empreiteira Queiroz Galvão move contra mim. Denunciei essa empresa pela ilegalidade do contrato firmado com a prefeitura de Juiz de Fora . Ao contrário do processo do Vereador Figueiroa, parado nas prateleiras, o meu está sendo julgado rapidamente. Por decisão judicial, tive de retirar do blog , até mesmo a decisão judicial, em que a Queiroz foi julgada e, condenada pela Justiça de São Paulo , sendo obrigada a devolver , junto com o ex prefeito da cidade do Guarujá, milhões de Reais aos cofres daquele município ! Estou pedindo uma audiência ao Juiz e, ao Ministério Público de São Paulo para tomar mais informações sobre esse processo, além de relatar o que aconteceu em Juiz de Fora.


Em resumo, o que se pode concluir é que as empresas que atuam nesse oligopólio não estão preocupadas com as denúncias, porque nada acontece contra elas, apesar das irrefutáveis provas de corrupção em diversos contratos, como relata em seu livro, Ênio Raffin.
Devo confessar que, mesmo não perdendo as forças para continuar lutando contra essa gente (não vou parar de combater), estou considerando que tudo isso é perda de tempo (denunciar). Nada acontece. Esse cartel continuará corrompendo (prefeitos de todos os partidos - não salva mais ninguém) e, ganhando, ilegalmente, centenas de milhões de Reais do dinheiro do povo.
É para isso que pagamos impostos.

Pobre Brasil.

2 comentários:

Thiago disse...

Caro Omar...

Pobre do nós...
Mas há tempos que o dinheiro arrecadado mediante a captação de impostos não são aplicados para a melhoria do bem-estar-social.
A saúde pública, ao contrário do que os acessores ditam para o Lula dizer, não está na perfeição. A educação pública então...
E, numa situação dessa, é até igenuidade achar que o montante arrecadado com a "taxa-de-coleta-de-lixo" vai ser puramente aplicado para devido fim.

Num país como o Brasil, o cidadão(contribuinte)está, como já disse o barbudo, na MERDA!!!

E o governo não passa de um clube de ludibriadores e exploradores da miséria e da ignorância da nação brasileira

Um abraço

Thiago Coelho

guilhermeortopedia disse...

Omar, lamentável que Juiz de Fora, que após anos de descaso com nossas vias, precise de uma empresa de fora para maquiar o asfalto de ALGUMAS avenidas da cidade. Se a prefeitura fizesse a manutenção correta das ruas, uma obrigação, não precisaria pagar milhões de reais a empresas privadas. É lamentável que este dinheiro tenha ido para o asfalto e o HPS sucateado, com péssimo atendimento e completa falta de condições de um atendimento digno à população da cidade. Se nossos queridos Bejani e Custódio tivessem feito o que é de suas obrigações, o asfalto de Juiz de Fora estaria em condições aceitáveis e não precisaríamos desembolsar essa fortuna. Estou certo que com uma pequena fatia dessa mesma fortuna o HPS se trasformaria num hospital referência para os acidentados da cidade e não nesse caos que está! Obrigado pelo espaço.
Guilherme Mendonça